Depois de ter assistido, em Faro, ao lançamento do livro “Vila de Frades, capital do vinho de talha”, de autoria do meu amigo Desidério Lucas do Ó, também meu colega de profissão (professor de Alemão e de Inglês) e das actividades musicais (uma das melhores vozes do nosso grupo "Dar de Vaia"), e, de nessa sessão de lançamento, ter tido o prazer de o ouvir mais o seu grupo de cante alentejano, nem queria acreditar no que estava lendo, quando deparei com esta carta de protesto que encontrei na sua página do Facebook. Sem mais comentários, associo-me à sua revolta e partilho a sua carta com quem visitar este blogue.
Marinela St. Aubyn
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Carta aberta ao presidente da Câmara de Vidigueira
A vida reserva-nos cada surpresa !!! Foi o que me aconteceu no dia 25 de Fevereiro deste ano numa sessão da assembleia municipal do concelho de Vidigueira.
Disse então o Senhor que eu não sou o autor do livro “Vila de Frades, capital do vinho de talha”.
Não sei onde foi buscar a informação que o levou a proferir tal calúnia. Como imediatamente a... seguir o presidente da assembleia deu por encerrada a sessão, sem me dar possibilidade de me defender, ali ficou aquela acusação pública. Certamente já ouviu falar de “contraditório”. É um conceito essencial na interação democrática que não respeitou.
Como político que é não pode proferir uma afirmação tão caluniosa sem primeiro se certificar acerca da fidelidade das suas fontes.
Ao contrário do Senhor, não sou político mas sempre me interessei por quase tudo o que me rodeia :
-Fui cofundador do PS, partido do qual saí em 1976. Poderia, enquanto militante fundador, ter usado essa minha condição para ascender a cargos públicos, não o fiz, como infelizmente acontece com muita gente no nosso país. Pelo contrário, critiquei, não fui ouvido e saí.
- Tive alguma militância no BE, que terminei. Como este partido não é da área do poder, não posso ser acusado de o ter usado em proveito próprio.
- Não me considero um vira-casacas, sou socialista sem vinculação partidária.
O tema do meu livro é Vila de Frades porque foi lá que nasci para a política (por influência do Dr. José Luís e do Sr. José Rosa) . É também uma expressão dos meus afetos, qualquer coisa como uma declaração de amor sem pedir reciprocidade. Continuo a visitar a minha terra, falo com as pessoas, interesso-me pelo que lá se passa. Não vou lá para me mostrar, porque não sou político. Vou lá para sentir, para curtir, como hoje se diz.
Como se recordará, o executivo camarário a que preside deu uma ajuda para a publicação do livro com a compra de 100 exemplares. O facto de o mesmo não ter sido exposto nos espaços públicos do concelho levou-me a pensar que tal se poderia dever a alguma falta de organização. Daí eu vos ter escrito duas vezes pedindo autorização para exposição/ venda nos referidos espaços. Não obtive resposta o que revela falta de respeito pelo cidadão.
Para cúmulo, a injúria com que me brindou é gravíssima e, como sou filho de boa gente, sinto-me e tenho direito à indignação .
Como tal, exijo que, no mesmo local onde proferiu a referida injúria, se distancie da mesma e me peça desculpa.
Caso contrário terei de enveredar por outros caminhos, o que me desagrada, pois tenho mais que fazer na vida.
19 de Março de 2013
PS – Esperava que na assembleia de 27.4. tivesse a modéstia de reconhecer o seu erro e pedir desculpa. Pelo contrário, afirmou num tom orgulhoso que não tinha dito tal coisa e, como na ata se omitiu tanto a minha pergunta como a sua resposta, legalmente a sua injúria não aconteceu. E tudo isto com a conivência do presidente da assembleia e de todos os deputados. Estão todos de parabéns, diga-se de passagem. Depois não se admirem que as pessoas digam mal dos políticos. Eu sei que este assunto não é importante, é uma miudeza, o presidente insulta os outros espantam-se mas não confessam que ouviram. Só em privado. Auguro-lhe um grande futuro como político.
Desidério do Ó
17/05/2013
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