terça-feira, 20 de outubro de 2009

"Futebol de Causas" no jornal "O Jogo"

"Futebol de causas" no DocLisboa destaca papel da Académica nas crises de 1962 e 1969

O documentário "Futebol de Causas" pretende fazer "justiça histórica" aos jogadores da “Briosa”, mostrando a solidariedade destes para com os estudantes de Coimbra, durante as crises académicas de 1962 e 1969, disse à agência Lusa o realizador.

Ricardo Antunes Martins, autor do documentário que é exibido hoje no cinema São Jorge, na secção "Foot Doc" do festival internacional Doc Lisboa, e que repete sábado, acrescentou que por detrás de um ano de filmagens, realizadas entre Outubro de 2008 e de 2009, estão quatro anos de investigação e de contactos para conseguir falar com vários dos envolvidos na crise.

Consciente do ambiente "bafiento, ditatorial e sem liberdade de expressão ou de informação" que marcou 48 anos de ditadura em Portugal, agravado pela guerra colonial, Ricardo Antunes Martins – que assina o seu primeiro documentário - começa por traçar um enquadramento social, cultural e político da época, para depois mergulhar nas crises académicas de 1962 e 1969.

O discurso do ministro da Educação Nacional em 1968, José Hermano Saraiva, perante os estudantes de Coimbra é utilizado pelo realizador para introduzir o que viria a ser o 17 de Abril de 1969 - quando Alberto Martins, na cerimónia de inauguração de um novo edifício de Matemática na Universidade de Coimbra, na presença do então presidente da República Américo Thomaz, pediu a palavra para dar conta dos problemas dos estudantes e foi impedido de falar.

A manifestação de solidariedade prestada por colegas àquele dirigente estudantil, a detenção deste pela PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado), a assembleia magna de estudantes em que é decretado o luto académico e a greve às aulas são também abordados no documentário.

As patrulhas militares em "quantidades nunca vistas" que sitiaram a Universidade e emprestaram a Coimbra, como então se dizia, "um clima de Saigão" - por analogia à guerra do Vietname - e as grandes manifestações culturais em Coimbra, com nomes como Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira e toda a oposição ao regime faziam da cidade "o grande farol de liberdade e esperança do país", como refere Alberto Martins no documentário, são também mencionados.

O "clímax da narrativa, se assim se puder chamar" - refere Ricardo Martins - dá-se a 22 de Junho de 1969, quando no estádio do Jamor a Académica disputa com o Benfica a final Taça de Portugal em futebol e milhares de pessoas vindas de Coimbra e outros espectadores viram os jogadores da "Briosa" entrar a passo lento e de capa descaída em sinal de luto.

Nas bancadas, várias faixas com frases a favor dos estudantes e contra o regime transportados por baixo da roupa iam passando de mão em mão.

"Academia está de luto/Universidade para o povo" - foi uma destas faixas que, segundo testemunham os ex-futebolistas da Académica Mário e Vítor Campos, deu a volta ao estádio.

"Aqueles jogadores, que eram estudantes, também contribuíram para que tivesse havido um 25 de Abril de 1974”, sublinha o realizador.

O mesmo 25 de Abril que pouco tempo depois levou ao encerramento da secção de futebol da Académica - por na altura se entender que o futebol devia ser "um desporto de massas" - e que o realizador gostaria de ver "reactivado com o mesmo ideal daqueles tempos: o das causas", conclui.
20-10-09

http://www.destakes.com/redir/227d3714a698aa07c8950a3155f8a470

Futebol de Causas

Em Diário de Coimbra
Por Ricardo Martins

Documentário “Futebol de Causas”
estreia dia 20 no DocLisboa

Produção, que destaca o papel da equipa de futebol da Académica nas crises académicas de 1962 e 1969, “esclarece alguns episódios envoltos em neblina”

O documentário do realizador conimbricense Ricardo Martins “Futebol de Causas”, sobre o papel da “Briosa” nas crises académicas dos anos sessenta, estreia dia 20 de Outubro no Cinema São Jorge, no âmbito do festival DocLisboa.
«É uma visão do papel da equipa de futebol da Académica nas crises académicas de 1962 e 1969, passando pelo episódio da extinção da secção de futebol da Associação Académica de Coimbra (AAC) em 1974», afirmou Ricardo Martins.
O documentário, escolhido pela organização do DocLisboa para a selecção oficial do festival, é apresentado, em estreia absoluta, pelas 21h30, na sala principal do Cinema São Jorge.
“Futebol de Causas” debruça-se ainda sobre a relação entre as crises académicas e a Guerra do Ultramar e o 25 de Abril, adiantou Ricardo Martins. «Tenta fazer uma certa justiça histórica, acerca da influência das crises académicas», adiantou o realizador, de 27 anos.
Celso Cruzeiro, Alberto Martins, Laborinho Lúcio, os irmãos Mário e Vítor Campos, Manuel António e Mário Wilson são alguns dos antigos jogadores e dirigentes da AAC que, entre outras figuras, dão o seu testemunho ao longo do documentário.
Ricardo Martins destacou ainda a participação de Jorge Humberto, «que se tornou lendário por ter protagonizado, nos anos sessenta, uma transferência milionária para Itália e ter doado parte significativa da verba à Académica».
A obra, uma produção da Zed Filmes, percorre os momentos marcantes da história da “Briosa”, em particular os anos 60, os melhores da vida da instituição (as finais de 1967 e 1969 da Taça de Portugal e o segundo lugar no campeonato na temporada de 66/67), concedendo grande destaque à crise académica de 1969.
«Ao longo da narrativa são abordados e definitivamente esclarecidos alguns episódios da vida da equipa que estavam envoltos nalguma neblina ou ficaram contados na história de forma pouco clara», referiu ainda o realizador, que é conhecido no meio académico como “Libelinha”.
Na VII edição do festival internacional de cinema documental, que decorre entre os dias 15 e 25, vai ser exibida, extra-concurso, a versão mais longa (70 minutos) de “Futebol de Causas”, tendo a versão mais curta (50 minutos) sido já entregue à RTP.
A produção foi financiada pelo Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual e pela RTP.

Coimbra-20-10-09
http://www.diariocoimbra.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=4152&Itemid=119

Encontro em casa de Humberto Matias - 14/10/09

Encontro em casa do Humberto Matias (14-10-09) from Marinela St.Aubyn on Vimeo.


Um reencontro de velhos amigos, num serão mágico, ao som dos trinados das cordas, executados pelos quatro exímios tocadores, acalentado pela amizade e a emoção, em que a prosa se centrava nas histórias da juventude.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Até sempre Companheiro


Era um dia de Outubro de 1981. Estávamos nos Olhos de Água (Algarve) em boa confraternização com amigos, na casa dum deles, situada numa pequena falésia sobre o mar. Era um dia morno e calmo. Tocava-se, cantava-se. Entre os amigos, estava o Adriano Correia de Oliveira. Recordávamos os nossos tempos de juventude em Coimbra. O dia chegava ao fim, inevitavelmente. Não nos apetecia acabar ali o convívio. Foi então que nos lembrámos que podíamos continuar a nossa festa na nossa casa, uma vivenda a 3Km de Faro. Ficou marcado para daí a uma semana, a 16 de Outubro. Nesse dia fazia 43 anos o Chico. Que melhor data poderíamos encontrar para a nossa próxima tertúlia?
Mas a tertúlia não aconteceu. Uns dias antes, o Adriano, sempre amigo e prestável, foi ajudar uns pescadores a tirar um barco do mar e sofreu um acidente. Teve de ser hospitalizado. Não foi muito grave, sofreu danos numa perna. Contudo, teve de regressar a Lisboa. Ficou combinado que o próximo 16 de Outubro não escaparia. Para já, juntar-nos-íamos a 16 de Outubro de 1982. Ele gostava do Algarve nessa época do ano.
Mas também não pôde vir.
Estávamos a festejar o 44º aniversário do Chico. A televisão estava ligada, apesar de ninguém lhe prestar atenção. Foi então que escutámos a terrível notícia. O Adriano nunca mais viria.

Marinela St. Aubyn