Adriano Correia de Oliveira (Avintes, 9 de Abril de 1942 — Avintes, 16 de Outubro de 1982), foi um músico português e um dos mais importantes intérpretes do fado de Coimbra. Fez parte da geração de compositores e cantores de cariz político, que foram usadas para lutar contra o Estado Novo e que ficou conhecida como música de intervenção. ( Wikipédia )
Tejo que levas as águas
Tejo que levas as águas correndo de par em par lava a cidade de mágoas leva as mágoas para o mar
Lava-a de crimes espantos de roubos, fomes, terrores, lava a cidade de quantos do ódio fingem amores
Leva nas águas as grades de aço e silêncio forjadas deixa soltar-se a verdade das bocas amordaçadas
Lava bancos e empresas dos comedores de dinheiro que dos salários de tristeza arrecadam lucro inteiro
Lava palácios vivendas casebres bairros da lata leva negócios e rendas que a uns farta e a outros mata
Tejo que levas as águas correndo de par em par lava a cidade de mágoas leva as mágoas para o mar
Lava avenidas de vícios vielas de amores venais lava albergues e hospícios cadeias e hospitais
Afoga empenhos favores vãs glórias, ocas palmas leva o poder dos senhores que compram corpos e almas
Leva nas águas as grades ... Das camas de amor comprado desata abraços de lodo rostos corpos destroçados lava-os com sal e iodo
Tejo que levas as águas correndo de par em par lava a cidade de mágoas leva as mágoas para o mar
Poema de Manuel da Fonseca, música de Adriano Correia de Oliveira, guitarra de Carlos Paredes, acordeão de Vitorino, viola de Fausto Bordalo Dias..., uma peça memorável!