sexta-feira, 13 de abril de 2012

José Afonso - "Fado da Sugestão" do disco "Fados de Coimbra e outras canções" (LP 1981)

Dizem para aí uns senhores
que em Coimbra não há fado.
Quem não ouve e quem não sente
mais vale ficar calado.

Um elenco notável: Zeca Afonso, Octávio Sérgio, Durval Moreirinhas, Janita Salomé e Júlio Pereira.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Adriano Correia de Oliveira faria hoje 70 anos

Adriano Correia de Oliveira (Avintes, 9 de Abril de 1942 — Avintes, 16 de Outubro de 1982), foi um músico português e um dos mais importantes intérpretes do fado de Coimbra. Fez parte da geração de compositores e cantores de cariz político, que foram usadas para lutar contra o Estado Novo e que ficou conhecida como música de intervenção. ( Wikipédia )

Tejo que levas as águas

Tejo que levas as águas
correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar

Lava-a de crimes espantos
de roubos, fomes, terrores,
lava a cidade de quantos
do ódio fingem amores

Leva nas águas as grades
de aço e silêncio forjadas
deixa soltar-se a verdade
das bocas amordaçadas

Lava bancos e empresas
dos comedores de dinheiro
que dos salários de tristeza
arrecadam lucro inteiro

Lava palácios vivendas
casebres bairros da lata
leva negócios e rendas
que a uns farta e a outros mata

Tejo que levas as águas
correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar

Lava avenidas de vícios
vielas de amores venais
lava albergues e hospícios
cadeias e hospitais

Afoga empenhos favores
vãs glórias, ocas palmas
leva o poder dos senhores
que compram corpos e almas

Leva nas águas as grades
...
Das camas de amor comprado
desata abraços de lodo
rostos corpos destroçados
lava-os com sal e iodo

Tejo que levas as águas
correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar

Poema de Manuel da Fonseca

Tejo que levas as águas - Manuel da Fonseca / Adriano C. de Oliveira



Poema de Manuel da Fonseca, música de Adriano Correia de Oliveira, guitarra de Carlos Paredes, acordeão de Vitorino, viola de Fausto Bordalo Dias..., uma peça memorável!