terça-feira, 28 de junho de 2022


Uma pérola do cofre de Octávio Sérgio 

 "Fado do 5° Ano Médico de 1926" - Áudio do programa Serenata de Coimbra, RTP 1965

Foto da serenata 

Registo do áudio cedido por Octávio Sérgio 

Canta António Bernardino

António Portugal (g)

Octávio Sérgio (g)

Rui Pato (v)

Música de Álvaro Teixeira Lopes

Letra - (2ª quadra) de António Correia de Oliveira


https://youtu.be/RYuItUMR4tk

quinta-feira, 9 de junho de 2022

Paz Monteiro -"Xandinha" e a República "Os Lysos"

https://youtu.be/KNrh4va2-n0 

 Zé da Paz, José da Paz Monteiro, engenheiro de minas, foi um dos fundadores da república dos LYSOS. Cantava mornas com uma voz maravilhosa. Deixou um disco gravado com quatro temas, sendo um deles a linda "Xandinha" (1964). Este vídeo pretende ser uma homenagem a Zé da Paz e uma recordação para os seus companheiros e amigos Lysos. O áudio que encontrei para editar este trabalho não tem boa qualidade. Precisava de um tratamento com um programa próprio que não tenho para melhorar um pouco o som. Peço aos meus amigos que me desculpem. Termino com um texto que se seleccionei no livro "A Real República dos LYSOS Retratos de Vida" 1959 - 2019. "Embora sempre fisicamente instalada na cidade do Porto e prestes a celebrar o seu Quinto Milenário, podemos afirmar que foi fundada em Coimbra. Aqui, durante o ano lectivo de 1958/59, surgiu a ideia e a decisão da sua fundação, quando um grupo que nesse ano terminava os Preparatórios de Engenharia na Faculdade de Ciências ou o Bacharelato na Escola Superior de Farmacia e que, forçosamente, tinha que mudar de Universidade - deixando Coimbra - para findar as respectivas licenciaturas, concluiu que, só numa República, poderia continuar a usufruir das vivências que aqui havia experimentado e que eram paradigma desta Academia. Assim se materializou esta República regida, intramuros, por principios e regras transpostos de Coimbra. As suas raízes ficaram simbolicamente gravadas no seu brasão com a inclusão, no mesmo, do conhecido perfil da "Alma Mater Conimbrigensis"". 

Marinela St.Aubyn

quinta-feira, 2 de junho de 2022

O Portugal dos anos quarenta

 O Portugal dos anos quarenta


Uma grande amiga minha contou-me ontem esta história:

"O meu pai, como sabes, era veterinário em Gouveia, no início dos anos quarenta. Às vezes levava um de nós (filhos) quando tinha de ir a cavalo por caminhos difíceis fazer tratamentos a animais. Fazia-o porque sabia quanto gostávamos de ir com ele na garupa do cavalo.

Um dia levou-me até à casa de um homem que tinha uma vaca com dificuldades no parto. Depois de terminado o seu trabalho, teve de entrar em casa do dono da vaca, onde este tinha um alguidar para o meu pai se lavar. Entretanto, enquanto se lavava, estranhou ouvir gemidos que vinham de outra divisão da casa e quis saber o que se passava e quem estava doente. Então a mulher do dono da vaca respondeu-lhe, com ar muito triste: "É um dos nossos filhos que está muito mal." Perguntou-lhe o meu pai: "Então e não chamam um médico para o observar e tratar?" Ao que a mulher respondeu: "Senhor doutor, nós somos muito pobrezinhos. Como precisávamos de o chamar por causa da vaca, ficámos sem dinheiro para tratar o nosso filho." Claro que o meu pai ficou muito chocado e disse-lhes que em primeiro lugar estava o tratamento de um filho e não o de um animal. Mais chocado ficou quando a mãe do rapaz doente lhe respondeu:"Nós temos doze filhos. Se a vaca não se salvar, morremos todos à fome. Se morrer um dos nossos filhos e a vaca se salvar, conseguimos viver com menos um filho. Não tinhamos outra escolha."

 O meu pai ficou indignado e comovido com tanta miséria e sofrimento. Não só nada lhes cobrou, como lhes deixou dinheiro para medicamentos para a vaca e prometeu-lhes chamar um médico amigo que não lhes cobraria nada e trataria o rapaz doente, o que aconteceu. Esse medico, que também tinha onze filhos, não só tratou o rapaz de graça como lhes deu dinheiro para os medicamentos."

Era assim o Portugal desses tempos

Hoje, por ser o dia mundial da pobreza, entendi que seria importante contar este triste episódio.

Termino acrescentando que esse veterinário, amigo e compadre do meu pai, foi, pouco depois, proibido de exercer a sua profissão, tendo ido para Moçambique, onde foi jornalista. Conseguiu criar os filhos, porque a mulher tinha alguns rendimentos. Um dos filhos formou-se em Económico-Financeiras, outro chegou a ser juiz do Supremo, outra, professora. Na mesma altura que ele foi castigado, o meu pai, seu compadre, "teve de pedir a demissão" do cargo de gerente do Grémio de Industriais de Lanifícios da Beira Alta e foi proibido de ser funcionário público ou professor, mesmo do ensino particular.

E a minha amiga terminou dizendo-me: "Sabes, os nossos pais tiveram sorte em não serem presos. Um grande amigo comum que era médico (não o médico dos onze filhos) e deputado da AN, opôs-se a essa ordem e conseguiu livrá-los de serem presos."


Escrevi isto num rompante de revolta, directamente para o telemóvel, pelo que peço que me desculpem a escrita pouco cuidada ou com erros.

Marinela St.Aubyn