sábado, 24 de março de 2012

Carlos Carranca_"Frátria"_ São Jorge


Frátria


Onde o lugar que ficou para lá desse tempo de estar
mais além?
Onde o brilhar dessa estrela que há na riqueza do mar
de ninguém?


Soltem de novo as amarras.
Rasguem o mar que há-de vir.
O tempo é das cigarras
(mulheres de branco a sorrir).


Soltem o céu das gargantas.
Soltem a terra da voz.
Esse poema que cantas
és tu, sou eu, somos nós.

Onde o lugar?


Carlos Carranca

quinta-feira, 22 de março de 2012

Raizes de Coimbra_"Cantar de Emigração"_Canta Mário Rovira


"Cantar de Emigração"
São Jorge, 8 de Março de 2012
Em "...de Coimbra, a guitarra, o canto e a poesia".
Raízes de Coimbra, com: Octávio Sérgio, Alcides Freixo e Paulo Alexandre (guitarra); Rui Pato e Carvalho Homem (viola); Canta Mário Rovira

Coimbra em Lisboa (08/03/2012)


“ FOI UMA NOITE GLORIOSA. ADOREI O ESPETÁCULO, QUE SE PROLONGOU PELA NOITE FORA. OBRIGADO COIMBRA!”

Coimbra veio a Lisboa. Na sala principal do São Jorge, Coimbra, "a encantada e quase fantástica Coimbra", no dizer de Eça, veio a Lisboa, na noite de 8 de março, oferecer um espetáculo único, "as guitarras, o canto e a poesia", dirigido por Carlos Carranca. Quando o fado de Lisboa acaba de ser reconhecido pela UNESCO, como património universal, Coimbra cantou, dançou e recitou poemas lindíssimos, quis demonstrar a sua solidariedade e apreço por Lisboa. A sala estava repleta e entusiástica, com pessoas de meia idade e para cima - algumas mesmo idosas - que cantaram, tocaram e dançaram como verdadeiros profissionais, sem o serem, porque quase todos são professores doutores ilustres. Faltaram talvez os jovens, à exceção da vice-reitora e reputada cientista Helena Freitas, que representava a Universidade e falou no início.

Zeca Afonso esteve sempre presente, com as suas canções e poemas e alguns outros, do tempo da resistência, como Adriano Correia de Oliveira, os poetas neorrealistas do Novo Cancioneiro, que a minha mulher recitou, entre outros ausentes mas presentes, como António Portugal e Manuel Alegre.

Sempre tive um grande fascínio por Coimbra, apesar de lisboeta dos sete costados. Vem isso desde a geração de 70 do divino Eça, que sempre tanto admirei. Permito-me por isso citar Eça: "Em Coimbra, uma noite, noite macia de Abril ou Maio, atravessava (...) o Largo da Feira, avistei sobre as escadarias da Sé Nova, romanticamente batidas pela lua, que nesses tempos ainda era romântica, um homem, de pé, que improvisava (...). Então, perante este céu onde os escravos eram mais gloriosamente acolhidos que os doutores, destracei a capa, também me sentei num degrau, quase aos pés de Antero que improvisava, a escutar, num enlevo, como um discípulo. E para sempre assim me considerei na vida." Antero, "um génio que era um santo"...

 Este é o fascínio de Coimbra que marcou sucessivas gerações: o Mondego, o choupal, a lua, a velha novíssima Universidade, construída em cima de ruínas romanas, hoje quase ocupada por estudantes do sexo feminino, que ajudam a dar uma vida nova à velhíssima instituição. Foi essa Coimbra, com as suas capas e canções, que veio a Lisboa. Foi uma noite gloriosa. Adorei o espetáculo, que se prolongou pela noite fora. Obrigado, Coimbra.


 MÁRIO SOARES

quarta-feira, 21 de março de 2012

"Outonal"_Jorge Tuna (em guitarra) e Durval Moreirinhas (em viola)

"Outonal"_de autoria de Jorge Tuna
Interpretação:
Jorge Tuna (em guitarra) e Durval Moreirinhas (em viola)
Em "...de Coimbra, a guitarra, o canto e a poesia"_São Jorga, Lisboa, 8 de Março de 2012/
(Foi pena ter começado a filmagem uns segundos após o iníco da interpretação.)

Homenagem a dez "violas", grandes intérpretes do fado de Coimbra



Em "De coimbra, a guitarra, o canto e a poesia"
Homenagem a dez violas_São Jorge, 8 de Março de 2012:
Aurélio dos Reis, António Toscano, Rui Pato, Durval Moreirinhas, Levy Baptista, Eduardo Aroso, João Gomes, Humberto Matias, Luís Filipe Roxo e Carvalho Homem.

(Ao vivo)
(As minhas desculpas pelo falta de qualidade do som.)

"Maio de 78", de Jorge Gomes, por João Alvarez e Durval Moreirinhas


"Maio de 78", de Jorge Gomes João Alvarez (guitarra) e Durval Moreirinhas (viola) São Jorge, 8 de Março de 2012 Em "De Coimbra, a guitarra, o canto e a poesia" Interpretação de João Alvarez e Durval Moreirinhas. (Ao vivo)