A viagem do Mário
Enternecido com a viagem, veio á memória a estação em que te vi pela primeira vez. Ao cair duma tarde de verão, vindos do Vale do Rocim, os nossos pais estacionaram os carros (o vosso, um Citroen "arrastadeira" invejável) no desvio para Seia. Peguei-te ao colo...confiei na "hidráulica! Foi um acto de fé de que hoje dou graças: foi um bom princípio. Reganhou forças nos encontros dos nossos pais. Lembro-me bem de brincar no quintal da vossa casa em Seia. Recordo um poço...ou então sonhei, e árvores de sombra refrescante Mais tarde, na verde juventude, parámos na Coimbra histórica, bucólica, paroquial, o tempo desdobrando-se nos afectos da amizade e da condição comum do compromisso da boémia inocente e das exigências do estudo, uns mais que outros na opção minimalista (o meu caso)! O banquete permanente na vossa casa na Estrada da Beira, o humor britânico do vosso Pai, o azougue fervilhante da Mãe Floripes, a alegria esfusiante dos vossos amigos da faculdade ou da música, tudo evoco dessa estação de Coimbra do Mondego. Também na insegurança da memória toldada na minha Queima das Fitas recordo a paciência generosa da Eduarda que partiu há muito e a chegada do meu carro à portagem onde ainda consegui discernir a Mãe Gonzaga de quem berrei já rouco, vezes sem conto,"esta é a minha Mãe". Depois encontrámo-nos noutras estações e apeadeiros: Luanda (ou não?), Faro e , finalmente, na bela praia de Isllantilla os tempos despreocupados dos olhares que mantêm a esperança no pôr-do-sol de cada dia. Belíssima viagem que temos feito, juntos nos corações que nos têm dado força nas horas más que já passámos. Estou sempre com saudades de vos abraçar, na próxima paragem do acaso ou doutra que, se for preciso, temos de inventar. Beijos da Lena e um apertado abraço para o Chico e para ti Marinela do vosso Mário Alberto
Enternecido com a viagem, veio á memória a estação em que te vi pela primeira vez. Ao cair duma tarde de verão, vindos do Vale do Rocim, os nossos pais estacionaram os carros (o vosso, um Citroen "arrastadeira" invejável) no desvio para Seia. Peguei-te ao colo...confiei na "hidráulica! Foi um acto de fé de que hoje dou graças: foi um bom princípio. Reganhou forças nos encontros dos nossos pais. Lembro-me bem de brincar no quintal da vossa casa em Seia. Recordo um poço...ou então sonhei, e árvores de sombra refrescante Mais tarde, na verde juventude, parámos na Coimbra histórica, bucólica, paroquial, o tempo desdobrando-se nos afectos da amizade e da condição comum do compromisso da boémia inocente e das exigências do estudo, uns mais que outros na opção minimalista (o meu caso)! O banquete permanente na vossa casa na Estrada da Beira, o humor britânico do vosso Pai, o azougue fervilhante da Mãe Floripes, a alegria esfusiante dos vossos amigos da faculdade ou da música, tudo evoco dessa estação de Coimbra do Mondego. Também na insegurança da memória toldada na minha Queima das Fitas recordo a paciência generosa da Eduarda que partiu há muito e a chegada do meu carro à portagem onde ainda consegui discernir a Mãe Gonzaga de quem berrei já rouco, vezes sem conto,"esta é a minha Mãe". Depois encontrámo-nos noutras estações e apeadeiros: Luanda (ou não?), Faro e , finalmente, na bela praia de Isllantilla os tempos despreocupados dos olhares que mantêm a esperança no pôr-do-sol de cada dia. Belíssima viagem que temos feito, juntos nos corações que nos têm dado força nas horas más que já passámos. Estou sempre com saudades de vos abraçar, na próxima paragem do acaso ou doutra que, se for preciso, temos de inventar. Beijos da Lena e um apertado abraço para o Chico e para ti Marinela do vosso Mário Alberto