sábado, 21 de novembro de 2009

Trocando em Miúdos

Concerto de alunos do Liceu no Teatro de Malange


Nos anos lectivos de 1968/69 e 1969/70 fui professora em Malange, uma cidade muito agradável, na Escola de Sá Viana Rebelo e no Liceu. Nesta cidade havia um grupo musical, formado por alunos do Liceu, que actuava frequentemente nas festas desta cidade. Por várias vezes me convidaram para tocar com eles. Normalmente tocava piano. Muito raramente tocava acordeão e, quando o fazia, era a solo. Esta foto foi tirada no Teatro de Malange, quando eu subi ao palco, atendendo a um pedido do grupo.

Marinela


Nem tudo foi mau! Curei-me e fui passar o Natal a casa.

Terminei o meu curso de Físico - Químicas em 1967. Podia ter sido em 1966, se a saúde o permitisse. Por azar, em 65/66, que deveria ter sido o último ano do curso, estive quase sempre doente, fazendo tratamentos de uma doença que não tinha e só mesmo perto dos exames da segunda época me diagnosticaram o verdadeiro mal, tendo então sido internada no Hospital da Universidade de Coimbra. Aí permaneci de Setembro a Dezembro, até poder ser operada a um rim. E foi no hospital que tive de dar os últimos retoques ao estudo das três disciplinas que, pela minha falta de saúde, se arrastaram para a segunda época. Consegui aprovação em duas. Na "disciplina de formatura", Análise Química Quantitativa , fiz a prova escrita sem grande dificuldade, mas tinha ainda uma prova prática e possivelmente uma prova oral. Como os meus médicos já não andavam nada contentes com o meu comportamento (estudo e saídas para fazer exames), pedi uma audiência ao professor, para saber, dada a minha situação, se valeria a pena fazer uma prova prática, que tinha uma duração de cerca de seis horas, o que para mim era mesmo muito prejudicial. O professor era o Dr. Vítor Crespo, que estava de partida para Moçambique. Recebeu-me, teve a gentileza de passar os olhos pelo meu teste e respondeu-me que estava razoável, pelo que não lhe parecia que devesse desistir de fazer a prova prática. E assim fiz. Mais um esforço, repreensões dos médicos, estudo às escondidas, mas apresentei-me na prova prática, aproveitando uma distracção do pessoal do Hospital. Fiz uma prova, de facto, com grande sacrifício e sofrimento. No final, pedi ao empregado do Laboratório de Química para me dizer se o resultado da experiência realizada estava dentro do intervalo estimado. Ele olhou disfarçadamente, foi consultar umas folhas e disse-me que sim. Saí cheia de esperança. Entretanto, o Dr. Crespo tinha partido para Moçambique, e veio substituí-lo o Dr. Redinha.
Passados uns dias, entraram no meu quarto as minhas duas amigas e colegas Celestina Carvalho e Margarida Jorge, que estavam, como eu, a fazer a mesma cadeira de formatura. Fiquei muito contente por virem visitar-me, mas notei qe estavam reservadas, diferentes. Percebi logo. Tirei-lhes as palavras da boca. Elas não escondiam a comoção, mas eu encorajei-as. Já tinha conseguido muito. Não havia problema. No ano seguinte faria uma cadeira sem dificuldade e até podia arranjar qualquer trabalho. Só precisava de ficar boa de saúde para poder ir para casa, para junto do Chico e do nosso filho Adriano, de dois anos, que já deviam estar a sentir muito a minha ausência. Mas ainda tive que aguentar até Dezembro.

Nem tudo foi mau. Eu curei-me e lá consegui ir passar o Natal a casa.
Marinela St. Aubyn

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

The Beatles_For You Blue

Guerra Junqueiro, Português, Homem de Letras - Muito Actual !


"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio,

fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora,

aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias,

sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice,

pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas;

um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai;

um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom,

e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que

um lampejo misterioso da alma nacional,

reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.


Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula,

não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha,

sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima,

descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas,

capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação,

da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.


Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo;

este criado de quarto do moderador; e este, finalmente,

tornado absoluto pela abdicação unânime do País.


A justiça ao arbítrio da Política,

torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.


Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções,

incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos,

iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero,

e não se malgando e fundindo, apesar disso,

pela razão que alguém deu no parlamento,

de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."

Guerra Junqueiro, 1896.




Este texto foi-me enviado por email pelo meu amigo António Abrantes do Carmo

domingo, 15 de novembro de 2009

Antigos Tunos dão música para recuperar Torre da Universidade

A Associação dos Antigos Tunos da Universidade de Coimbra promoveu no dia 14/11 um espectáculo musical no Pavilhão Centro de Portugal para apresentar o trabalho discográfico "280 Anos Depois". As receitas angariadas com a venda deste álbum revertem a favor das obras de restauto da Torre da Universidade.
No espectáculo actuaram a Orquestra da AATUC e o grupo "Raízes de Coimbra".
São desse álbum as duas músicas publicadas abaixo.

Fado de Santa Clara, de A. Menano/L. Junot_Canta Heitor Lopes_Raízes de Coimbra_CD "280 Anos Depois"

"Largo" de Haendel_Orquestra da AATUC_CD "280 Anos Depois"