sábado, 15 de fevereiro de 2014

Canção da Primavera - Francisco Martins e Rui Pato


Francisco Filipe Martins é um dos grandes criadores e intérpretes de guitarra de Coimbra de todos os tempos. Para além de compositor e intérprete, formou-se em medicina no ano de 1973 e especializou-se em Neurorradiologia.
Quem se encontre a par da longa embora quantitativamente limitada discografia de Francisco Filipe Martins (1964 ss.) algo depressa terá notado: há ali uma sonoridade diferente, que, não deixando de ser coimbrã, soa no entanto de forma "outra". É isso visível logo em “introduções de temas vocalizados por António Bernardino, quer no EP de 1964 (com António Portugal [g.] / Jorge Moutinho [v.]; "maxim...e" a “introdução “ e o acompanhamento para “Fado Resende” [Ao morrer os olhos dizem / pára morte espera aí], quer no I.P Flores para Coimbra (1969, com António Portugal [g,] / Luís Filipe [v.]; v.g. os arranjos para “Flores para Coimbra” e “Guitarras do meu País” e as autorias musicais em “Trova da Planície” e em “Alegre se fez Triste”).
Em 1986 o LP Canção da Primavera veio reforçar tal ideia: a sequência do tal som outro, peças de notável criação melódica pontuadas de sugerências barrocas, rokies ou countries, como então escrevi, a novidade da presença do violoncelo da responsabilidade do entretanto desaparecido ELSO DE CARVALHO [Filho], o majestosamente inconfundível estilo da viola de RUI PATO…Um disco que escutei incontáveis vezes no meu gabinete de trabalho, por vezes incessantemente voltando as faces e tornando ao início…É claro que este álbum não foi propriamente pacífico. Não sei se alguém verbalizou críticas à introdução do violoncelo (mas a presença deste instrumento era discreta. Já a criação melódica e as sequências tonais deram algo que falar, e não faltaram discordâncias de cunho (ultra)-tradicionalistas…
Dez anos mais tarde, Primavera 2- Música para guitarra de Coimbra constituiria a confirmação/continuação de uma Obra: até nos títulos, com “Canção da Primavera”, “Passos de Dança” e “Momento Breve”, a conhecerem peças sequenciais numeradas. Recuperando quase todos os temas do álbum anterior, uma nova heterodoxia se patenteava: a introdução (agora) do violino, inclusivamente em “Despedida” (sobre a gravação de 1986). E, de novo, a incansabilidade da audição, permitindo concluir que continuávamos a ter ali material de primeira água e que a música de Francisco Filipe Martins se não parecia com a de nenhum outro executante de guitarra, coimbrão ou de alhures. Poderia haver aqui e além apontamentos a fazer lembrar X ou Y. Mas nada disso era significativo.
Ao fim de exactamente 10 anos, Francisco Martins reaparece, com o CD “Convívios Musicais”. De novo o violino (MANUEL ROCHA), tal como há 10 anos e agora também o piano (executado por seu filho JOSÉ FILIPE MARTINS) se lhe associam, bem como a viola de ANÍBAL MOREIRA.
História
FRANCISCO MARTINS começou a aprender guitarra de Coimbra aos 12 anos com António Portugal.
Faz a sua primeira apresentação em público aos 13 anos, no casamento de Luiz Goes, no Hotel Bragança em Coimbra, sendo acompanhado pelos irmãos Barros Neves e tendo cantado Carlos Encarnação, Robalo de Andrade e João Farinha.

Em Outubro de 1962, com 16 anos, participa pela primeira vez em um espectáculo, tr...ansmitido em directo pela RTP, no Pavilhão dos Desportos em Lisboa, com o seu grupo constituído por FRANCISCO MARTINS e Manuel BOrralho (guitarras), Rui Pato (viola), Robalo de Andrade e joão Farinha (cantores).
Nesta fase, António Portugal orientava os ensaios dos seus pupilos que com ele aprendiam quer a tocar guitarra quer a maneira de tocar o Fado de Coimbra, o que lhe valeu a alcunha de "Portugal dos Pequenitos".

Em Julho de 1964 participa no "Encontro da Saudade" no Pátio da Universidade de Coimbra, tendo tido o privilégio de descerrar a lápide em homenagem a Augusto Hilário, por ocasião do seu centenário. Com o seu grupo (Francisco Martins, José Ferraz de Oliveira, Rui Pato, António Bernardino e João Farinha) faz uma serenata nas escadas da Capela da Universidade, espectáculo este transmitido em directo pela RTP.
Ainda em 1964 grava o seu primeiro disco com António Portugal e António Bernardino.

Nos finais dos anos 60 integra o grupo de António Portugal, tendo participado com este em vários espectáculos, nomeadamente na RTP e grava com ele, em 1970, o seu segundo disco, o álbum "Flores para Coimbra", sendo acompanhado à viola por Luís Filipe e, mais uma vez, a voz de António Bernardino.

Neste disco inclui dois fados de sua autoria: " EALEGRE SE FEZ TRISTE" e "TROVA DA PLANÍCIE".
Após um interregno marcado pelo "luto académico" em 1969, participa nos anos 80 em algumas actuações com António Portugal, Rui Pato e Luís Filipe.
Em 1986 grava para a PolyGram o seu terceiro disco, o álbum "CANÇÃO DA PRIMAVERA", exclusivamente instrumental, onde inclui seis variações de sua autoria e quatro de ARTUR PAREDES. É acompanhado por RUI PATO. Este álbum foi então nomeado pata o prémio "SETES DE OURO".

Em 1992 e 1993 liderou o Grupo de Fados do Oefeon dos Antigos Estudantes de Coimbra, acompanhado por Rui Pato e Humberto Matias.

Em 1996 compõe um tema para a homenagen a David Mourão Ferreira, que a RTP2 transmitiu no programa "Acontece".

Francisco Filipe Martins é um dos grandes criadores e intérpretes de guitarra de Coimbra de todos os tempos. Para além de compositor e intérprete, formou-se em medicina no ano de 1973 e especializou-se em Neurorradiologia , tendo sido até ao ano 2000 director do Serviço de Neurorradiologia dos HUC.
Não tendo embora uma formação musical escolar, Francisco Martins pode considerar-se um melómano. Não lhe terá sido fácil conciliar o seu trabalho como médico com a sua arte na guitarra de Coimbra.  
 
 
  

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Corre Mondego - 9 de Fevereiro de 2014



Informações do autor do vídeo:
Caudal do Rio Mondego, em Coimbra, na tarde de 9 de Fevereiro de 2014. A zona do Parque Verde, onde foram investidos milhões de euros no âmbito do Programa Polis, está parcialmente inundada.