quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Carlos Paredes_Balada de Coimbra

Hoje Carlos Paredes faria 87 anos ...Em sua homenagem, uma interpretação sua_a balada que ficou conhecida por "Balada de Coimbra".

3 comentários:

Anónimo disse...

É Balada do Mondego (e não, de Coimbra) o nome original desta composição vocal que o Rancho Flor da Mocidade cantou no Pátio da Inquisição, no S. João de 1902, ainda Henrique de Carvalho não estava formado. Fala do Mondego e não de Coimbra. Na altura, o Rancho teria cantado a 1ª estrofe, depois o estribilho, a 2ª estrofe e novamente o estribilho (Porém qu’importa, etc.) e foi assim que esta lindíssima música vocal foi editada pela 1ª vez pela Lythografia e Typografia Corrêa Cardoso, da Rua Larga, em Coimbra.

Posteriormente foi editada na “Semana Illustrada”, revista literária e artística, em Outubro de 1904 (Nº 45, 2ª Série), referindo ter sido cantada em Coimbra, nas Festas da Rainha Santa desse ano de 1904. Na dita revista vem apenas com o nome de Balada, tout court, e nela aparece pela 1ª vez a última estrofe (E os nossos cantos, puros, singelos), deixando propriamente de haver estribilho. Cantam-se as duas primeiras estrofes, depois a que constituía o estribilho e, por fim, a última e 4ª estrofe.

Uma outra edição musical aparece nas «Canções Populares de Coimbra», de 1907, impressa na Lyth. Monteiro, Sucrs., de Castro & Cª., Largo da Madalena, Lisboa; também vem só com o nome de «Balada», tem as mesmas quatro estrofes e o nome de Henrique Martins de Carvalho vem já precedido de Dr., indicativo de que já estaria formado. Henrique de Carvalho (Cinfães,1880; Lisboa, 1940) formou-se em 1907, em Direito.

Gravada, pela primeira vez por volta de 1904-1905, cantada por Avelino Baptista com acompanhamento de estudantina, sob o título Balada do Mondego (Disco Beka-Grand-Record, 48103).

Gravada igualmente sob o título Balada de Coimbra, em Fevereiro de 1928, no Porto, por Chico Caetano, acompanhado a alaúde por Alberto Caetano e, à viola, por José Caetano (Disco Columbia, 8125).

Com o tempo, outras letras foram feitas e adaptadas a esta belíssima peça vocal, como, por exemplo, Balada (Oh mocidade que foste num sonho), letra de Louro de Oliveira, e Balada (O sol nascente na madrugada), em edição musical da casa Raúl Venâncio, intitulada Canções das Tricanas.

Artur Paredes na década de 20 deu um arranjo a esta música vocal, apresentando-a numa versão instrumental, que gravou em Maio de 1927 com o nome modificado para Balada de Coimbra (Discos His Master’s Voice, E.Q.93, e M.H. 36 e J.Q. 501, este último etiqueta verde). Seu filho Carlos Paredes, nascido em 16-02-1925, tinha pouco mais de dois anos pelo que está excluída toda e qualquer participação sua.. Tal gravação deu origem a um contencioso entre a família de José Eliseu (Coimbra, 1872; ibidem, 1924) e Artur Paredes.

Vários outros cantores gravaram esta Balada com o designativo de Coimbra, embora, repito, não fale de Coimbra mas sim do Mondego.

Marinela St. Aubyn disse...

Obrigada pela sua excelente participação.
É um esclarecimento importante e bem fundamentado.
Eu sabia que "Balada de Coimbra" não era o nome original mas sim "Balada do Mondego". Já tinha lido alguns textos relacionados.
Esta balada,que iniciava os programas de fados de Coimbra transmitidos pela rádio e televisão, sempre nos foi apresentada como "Balada de Coimbra" de José Elizeu, originariamente interpretada por Artur Paredes...
Os dois contribuiram para que a peça popular "Balada do Mondego", cantada pelo rancho Flor da Mocidade,se tenha convertido nesta balada emblemática de grande beleza, quer na melodia quer no arranjo.

Anónimo disse...

Não tem de quê !