Hoje Carlos Paredes faria 87 anos ...Em sua homenagem, uma interpretação sua_a balada que ficou conhecida por "Balada de Coimbra".
3 comentários:
Anónimo
disse...
É Balada do Mondego (e não, de Coimbra) o nome original desta composição vocal que o Rancho Flor da Mocidade cantou no Pátio da Inquisição, no S. João de 1902, ainda Henrique de Carvalho não estava formado. Fala do Mondego e não de Coimbra. Na altura, o Rancho teria cantado a 1ª estrofe, depois o estribilho, a 2ª estrofe e novamente o estribilho (Porém qu’importa, etc.) e foi assim que esta lindíssima música vocal foi editada pela 1ª vez pela Lythografia e Typografia Corrêa Cardoso, da Rua Larga, em Coimbra.
Posteriormente foi editada na “Semana Illustrada”, revista literária e artística, em Outubro de 1904 (Nº 45, 2ª Série), referindo ter sido cantada em Coimbra, nas Festas da Rainha Santa desse ano de 1904. Na dita revista vem apenas com o nome de Balada, tout court, e nela aparece pela 1ª vez a última estrofe (E os nossos cantos, puros, singelos), deixando propriamente de haver estribilho. Cantam-se as duas primeiras estrofes, depois a que constituía o estribilho e, por fim, a última e 4ª estrofe.
Uma outra edição musical aparece nas «Canções Populares de Coimbra», de 1907, impressa na Lyth. Monteiro, Sucrs., de Castro & Cª., Largo da Madalena, Lisboa; também vem só com o nome de «Balada», tem as mesmas quatro estrofes e o nome de Henrique Martins de Carvalho vem já precedido de Dr., indicativo de que já estaria formado. Henrique de Carvalho (Cinfães,1880; Lisboa, 1940) formou-se em 1907, em Direito.
Gravada, pela primeira vez por volta de 1904-1905, cantada por Avelino Baptista com acompanhamento de estudantina, sob o título Balada do Mondego (Disco Beka-Grand-Record, 48103).
Gravada igualmente sob o título Balada de Coimbra, em Fevereiro de 1928, no Porto, por Chico Caetano, acompanhado a alaúde por Alberto Caetano e, à viola, por José Caetano (Disco Columbia, 8125).
Com o tempo, outras letras foram feitas e adaptadas a esta belíssima peça vocal, como, por exemplo, Balada (Oh mocidade que foste num sonho), letra de Louro de Oliveira, e Balada (O sol nascente na madrugada), em edição musical da casa Raúl Venâncio, intitulada Canções das Tricanas.
Artur Paredes na década de 20 deu um arranjo a esta música vocal, apresentando-a numa versão instrumental, que gravou em Maio de 1927 com o nome modificado para Balada de Coimbra (Discos His Master’s Voice, E.Q.93, e M.H. 36 e J.Q. 501, este último etiqueta verde). Seu filho Carlos Paredes, nascido em 16-02-1925, tinha pouco mais de dois anos pelo que está excluída toda e qualquer participação sua.. Tal gravação deu origem a um contencioso entre a família de José Eliseu (Coimbra, 1872; ibidem, 1924) e Artur Paredes.
Vários outros cantores gravaram esta Balada com o designativo de Coimbra, embora, repito, não fale de Coimbra mas sim do Mondego.
Obrigada pela sua excelente participação. É um esclarecimento importante e bem fundamentado. Eu sabia que "Balada de Coimbra" não era o nome original mas sim "Balada do Mondego". Já tinha lido alguns textos relacionados. Esta balada,que iniciava os programas de fados de Coimbra transmitidos pela rádio e televisão, sempre nos foi apresentada como "Balada de Coimbra" de José Elizeu, originariamente interpretada por Artur Paredes... Os dois contribuiram para que a peça popular "Balada do Mondego", cantada pelo rancho Flor da Mocidade,se tenha convertido nesta balada emblemática de grande beleza, quer na melodia quer no arranjo.
3 comentários:
É Balada do Mondego (e não, de Coimbra) o nome original desta composição vocal que o Rancho Flor da Mocidade cantou no Pátio da Inquisição, no S. João de 1902, ainda Henrique de Carvalho não estava formado. Fala do Mondego e não de Coimbra. Na altura, o Rancho teria cantado a 1ª estrofe, depois o estribilho, a 2ª estrofe e novamente o estribilho (Porém qu’importa, etc.) e foi assim que esta lindíssima música vocal foi editada pela 1ª vez pela Lythografia e Typografia Corrêa Cardoso, da Rua Larga, em Coimbra.
Posteriormente foi editada na “Semana Illustrada”, revista literária e artística, em Outubro de 1904 (Nº 45, 2ª Série), referindo ter sido cantada em Coimbra, nas Festas da Rainha Santa desse ano de 1904. Na dita revista vem apenas com o nome de Balada, tout court, e nela aparece pela 1ª vez a última estrofe (E os nossos cantos, puros, singelos), deixando propriamente de haver estribilho. Cantam-se as duas primeiras estrofes, depois a que constituía o estribilho e, por fim, a última e 4ª estrofe.
Uma outra edição musical aparece nas «Canções Populares de Coimbra», de 1907, impressa na Lyth. Monteiro, Sucrs., de Castro & Cª., Largo da Madalena, Lisboa; também vem só com o nome de «Balada», tem as mesmas quatro estrofes e o nome de Henrique Martins de Carvalho vem já precedido de Dr., indicativo de que já estaria formado. Henrique de Carvalho (Cinfães,1880; Lisboa, 1940) formou-se em 1907, em Direito.
Gravada, pela primeira vez por volta de 1904-1905, cantada por Avelino Baptista com acompanhamento de estudantina, sob o título Balada do Mondego (Disco Beka-Grand-Record, 48103).
Gravada igualmente sob o título Balada de Coimbra, em Fevereiro de 1928, no Porto, por Chico Caetano, acompanhado a alaúde por Alberto Caetano e, à viola, por José Caetano (Disco Columbia, 8125).
Com o tempo, outras letras foram feitas e adaptadas a esta belíssima peça vocal, como, por exemplo, Balada (Oh mocidade que foste num sonho), letra de Louro de Oliveira, e Balada (O sol nascente na madrugada), em edição musical da casa Raúl Venâncio, intitulada Canções das Tricanas.
Artur Paredes na década de 20 deu um arranjo a esta música vocal, apresentando-a numa versão instrumental, que gravou em Maio de 1927 com o nome modificado para Balada de Coimbra (Discos His Master’s Voice, E.Q.93, e M.H. 36 e J.Q. 501, este último etiqueta verde). Seu filho Carlos Paredes, nascido em 16-02-1925, tinha pouco mais de dois anos pelo que está excluída toda e qualquer participação sua.. Tal gravação deu origem a um contencioso entre a família de José Eliseu (Coimbra, 1872; ibidem, 1924) e Artur Paredes.
Vários outros cantores gravaram esta Balada com o designativo de Coimbra, embora, repito, não fale de Coimbra mas sim do Mondego.
Obrigada pela sua excelente participação.
É um esclarecimento importante e bem fundamentado.
Eu sabia que "Balada de Coimbra" não era o nome original mas sim "Balada do Mondego". Já tinha lido alguns textos relacionados.
Esta balada,que iniciava os programas de fados de Coimbra transmitidos pela rádio e televisão, sempre nos foi apresentada como "Balada de Coimbra" de José Elizeu, originariamente interpretada por Artur Paredes...
Os dois contribuiram para que a peça popular "Balada do Mondego", cantada pelo rancho Flor da Mocidade,se tenha convertido nesta balada emblemática de grande beleza, quer na melodia quer no arranjo.
Não tem de quê !
Enviar um comentário